Liviano
  EXPLICAÇÃO

Não consegui, de jeito nenhum, configurar a postagem abaixo (nem esta) de acordo com as outras: a fonte está maior (se escolho o primeiro tamanho inferior, fica pequeno demais, e a fonte está maior nesta também) e o texto não está justificado (o mesmo ocorre com este). Pensei a princípio que esse desarranjo estivesse ligado à extensão do texto, já que a crônica abaixo é o maior texto já publicado aqui. Mas como não consegui configurar este também, o problema não estão na extensão. Espero que eu consiga corrigir em breve tais configurações.



Escrito por Lívio Soares de Medeiros às 10h44
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  CRÔNICA 1

Excelente!

 

Freqüentemente nos queixamos, com muita razão, da precariedade e da burocracia dos serviços públicos. São na maioria das vezes ineficazes, pachorrentos e nos tratam como se estivéssemos atrapalhando a existência dos funcionários, como se fôssemos um incômodo para o bem-estar deles, que, a rigor, são mantidos por nós, por intermédio dos impostos e taxas que pagamos.

 

Mas, um dia desses, tendo saído logo pela manhã, a fim de resolver pendengas burocráticas, tive de ir a um desses serviços públicos. Já cheguei armado e fazendo cara de quem deixa bem claro que estar ali não era nada bom. Como sempre, fila, mas não demorei a ser entendido. Não tive nem tempo de começar a pensar na vida e no que devo fazer para que tudo seja diferente. Eu já estava com a senha de atendimento em mãos; em menos de dois minutos eu seria chamado.

 

Quem me atendeu foi um senhor. Já calejado e ciente de que a burocracia impede o bom senso na maioria das vezes, após corresponder ao “bom dia” do funcionário, fui logo adiantando que talvez eu não estivesse no lugar certo para resolver o problema com as faturas. Mas o atendente, após me perguntar de que conta se tratava, foi logo dizendo que eu estava no lugar certo.

 

Revendo-o agora, creio que deve ter uns cinqüenta anos. O sorriso com que me recebeu era cordial mas não era exagerado. Por isso mesmo, convenceu. Entreguei-lhe os comprovantes de pagamento de contas que estavam atrasadas e ele começou a digitar. Digitava e olhava para a tela, digitava e olhava para a tela. Eu tentava ler em seu rosto algum problema, alguma irregularidade com os comprovantes. Mas ele continuava digitando. Num dado momento, perguntou-me alguma informação técnica sobre minha mãe, pois os documentos estavam no nome dela. Como eu havia pedido a ele segunda via de um documento, ele me disse que tal segunda via não seria necessária, pois a conta já havia sido paga. E mais: acrescentou que uma outra conta, paga momentos antes, também há havia sido quitada. Por fim, esclareceu que eu não precisava me preocupar, pois o dinheiro seria restituído por intermédio de créditos (acho que foi essa a palavra que ele usou).

 

Enquanto o senhor digitava, reparei que, sobre o balcão, havia um mecanismo vertical, de uns quinze centímetros, que parecia proporcionar ao cliente a possibilidade de opinar sobre o atendimento que tivera. Havia quatro ou cinco botões, um de cada cor. Sob cada botão, havia uma palavra. Elas iam de uma gradação que começa com (salvo engano) “excelente” e vai até (salvo engano) “péssimo”. Deduzi que o dispositivo estava ali para que pudéssemos de fato avaliar o modo como havíamos sido tratados, como havia sido o serviço etc. Por dois ou três instantes, senti-me tentado a apertar o botão “excelente”, mas não o fiz por temer que talvez essa não fosse a utilidade do mecanismo. Também por dois ou três instantes, pensei em perguntar a serventia da maquininha, o que não fiz.

 

No término do atendimento, o funcionário virou o monitor do computador para mim e me mostrou a prova de que duas das contas já haviam sido pagas. Trocamos algumas palavras e fui embora. No caminho de volta para casa, fiquei remoendo meu vacilo, meu pestanejar: eu deveria ter perguntado a utilidade do equipamento. Caso servisse para o que eu tinha pensado que servia, eu poderia ter opinado sobre o atendimento que recebi. Nem tanto pela repartição, mas pelo tato daquele funcionário. Voltei para casa com a sensação de que eu perdera a oportunidade de exercer algo de bom em mim.



Escrito por Lívio Soares de Medeiros às 10h38
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  DA PAZ

A paz é um céu

bem escuro

pontuado

por estrelas.

A paz é escura

e silenciosa.



Escrito por Lívio Soares de Medeiros às 10h23
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  APONTAMENTO 13

A mais curta das viagens, desde que não se queira fazê-la, torna-se a mais longa.



Escrito por Lívio Soares de Medeiros às 22h17
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  CONTO 10

Marcos  havia sido o tipo literato até os quarenta  anos.   Estava  sempre bem--informado e praticando os idiomas que aprendera – inglês, francês e espanhol. No exato dia em que completou quarenta anos, desistiu do mundo das letras (de vez em quando escrevia alguns versos). Na juventude, chegara a publicar por conta própria um livro de poemas chamado “Caminhos do olhar”. Depois que abandonou o mundo da literatura, passou a se dedicar à criação de coelhos. A seguir, entusiasmou-se pela música. Logo após, pela filatelia. Mesmo antes das letras já havia sido interessado em basquete, chegando a jogar no time principal da cidade. Hoje em dia, tem se dedicado ao direito. Fez vestibular e foi aprovado, mas já está cogitando a idéia de abandonar o curso e se dedicar à etologia. A intenção é se concentrar no estudo das formigas.



Escrito por Lívio Soares de Medeiros às 11h43
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  A HISTÓRIA POR TRÁS DA FOTO 37

Abaixo, áudio sobre a feitura desta foto.



Escrito por Lívio Soares de Medeiros às 20h43
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  CONTO 9

O grande sonho de Cátia era ser modelo. O desejo de freqüentar as passarelas, ser fotografada, gravar comerciais, dar entrevistas, ser famosa, ganhar dinheiro e estar em outdoors começou a acabar quando ela completou dezesseis anos. Foi nesse instante que, inexoravelmente, passou a engordar. A princípio, ainda teve alguma esperança de voltar a ter o corpo esguio e o andar leve. Depois, percebeu que seriam em vão as esperanças, as dietas e as ginásticas. Nunca parou de engordar. Hoje, muito veladamente, sente uma pontinha de inveja quando vê cenas de um desfile ou fotos de alguma modelo. Nada grave: já que não há como jogar fora o peso do corpo, Cátia jogou longe o peso das gordas preocupações.



Escrito por Lívio Soares de Medeiros às 12h10
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  "HOW DO YOU DO"?

Mais cedo, tive de ir ao dentista. Como eu ainda não havia sido paciente do profissional, ele tratou ao máximo de me acalmar, nos momentos que antecederam os trabalhos; o que nem seria necessário, pois não me preocupo com esse tipo de intervenção.

 

Enquanto dente e gengiva eram cavoucados, bem baixinho, quase imperceptíveis, ao fundo, pude ouvir solos de flauta. Não conheci o artista. Mas eu estava mesmo é com a canção “How do you do”, do Roxette, na cabeça. Eu nem gosto muito dessa canção, mas ficou em minha cabeça, desde que a escutei, ontem, numa rádio.



Escrito por Lívio Soares de Medeiros às 15h01
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  APONTAMENTO 12

É muito fácil ser otimista quando se é ignorante. Mas nem todo otimista é ignorante.

Escrito por Lívio Soares de Medeiros às 23h00
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  APONTAMENTO 11

No sonho, a verdade. Na leitura, a ponte para o sonho.



Escrito por Lívio Soares de Medeiros às 13h10
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  FOTOPOEMA 20

 

Escrito por Lívio Soares de Medeiros às 16h04
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  POP POEM

Be “Close to me”

and be  The Cure.

Escrito por Lívio Soares de Medeiros às 12h23
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  CONTO 8

Joaquim conheceu Andréia. Os dois se casaram e foram morar no fundo da casa de Estevão e Isoleta, pais de Andréia. Chegou um ponto em que Joaquim não estava mais suportando a falta de privacidade, os palpites da sogra, a falta de educação do sogro e os latidos agudos de Bidu, o cachorro de Estevão. Numa discussão, os sogros de Joaquim jogaram na cara dele que ele pegava o boi de morar lá, pois não pagava aluguel nem criava vergonha na cara e construía uma casa. Joaquim disse para a esposa que iria embora; perguntou-lhe se ela iria com ele. Diante do vacilo dela, o marido não disse mais nada: fez as malas e partiu. Até hoje, os familiares de Andréia lamentam a ausência de Bidu, que acabou seguindo Joaquim no dia da partida.



Escrito por Lívio Soares de Medeiros às 18h50
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  FOTOPOEMA 19



Escrito por Lívio Soares de Medeiros às 14h08
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  LETRA DE MÚSICA (CANÇÃO DESAJEITADA)

Você tem um jeito...

Essa coisa imprecisa que

ao mesmo tempo é tudo.

Seu jeito é você toda.

 

Seu caminhar, respirar...

Cabelos, roupas, gestos...

Fico sem jeito, mas olhar é preciso.

 

Sua voz, humor e gentileza.

Um quê de criança na mulher feita.

Finjo levar jeito e componho uma canção.

Oferta de um cético que de repente acorda:

o amor me pegou de jeito.



Escrito por Lívio Soares de Medeiros às 20h05
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